Receitas saudáveis para lidar com a INVEJA

21/07/2014 10:17

            Quando você deixa de fazer algo pelo receio de que alguém o inveje, observe três pontos importantes:

 

Como anda a sua inveja perante a conquista dos outros?

Que parte em você não quer efetivamente fazer esse ‘algo’ e justifica-se colocando a culpa na inveja alheia?

Qual sua atitude e sentimento diante de alguma conquista que obtém?

 

            Nesses três aspectos, o convite é olhar para você, identificando e procurando transformar os ‘eus’ contrários à sua felicidade. Mas, primeiro vamos procurar ter uma compreensão mais clara do que é a inveja.

            A inveja surge da falsa ideia de que você não é capaz, de que você não dá conta e por esse motivo sente muita raiva em ver alguém tendo a coragem de ousar, de ver o outro brilhando naquilo que você gostaria, mas (acredita) que não pode, não sabe, não consegue. Com isso, o desejo (muitas vezes oculto) que surge é que aquilo que o outro está conquistando não dê certo, pois assim o incômodo em você cessa e aparentemente fica tudo bem entre você e sua frustração de não se sentir tão bom assim.

            Diferente do que muita gente costuma dizer ou pensar, quando faço um elogio sincero ou simplesmente gosto daquilo que vejo no outro, isso não é inveja, isso é admiração. Muitos titubeiam a esboçar qualquer tipo de admiração a alguém, pois imaginam que o outro vá pensar que está com inveja, no entanto, se você verdadeiramente está demonstrando um sentimento genuino de afeição, não há porque temer que você pareça invejoso.

            A inveja, ao contrário da admiração, se vale da malícia e da falsa intenção de ajudar para dizer ao outro o que pensa ou sente em relação àquilo. Por exemplo, você até gostou da roupa que aquela pessoa está usando, consegue ver que ela ficou linda daquela forma, mas isso faz você se corroer por dentro, já que você por qualquer motivo que seja não usaria uma roupa como aquela (por estar acima do peso, por achar isso vulgar, ou porque simplesmente acha que em você não ficaria bem), então para diminuir sua angústia e não demonstrar o que está sentindo, você diz àquela pessoa que ela não ficou bem vestida dessa forma, que não combinou com ela ou qualquer outro argumento. Isso é inveja, querer destruir o que o outro tem ou o que ele é para atenuar a sua frustração ou seu desvalor e colocá-lo no mesmo nível que você se encontra ou até mesmo abaixo de você. Claro que se realmente aquilo não ficou bom e você for sincero dizendo à pessoa, caso ela tenha pedido sua opinião, isso não significa que seja inveja. Mas primeiro é importante identificar de onde vem essa sua fala, da honestidade ou da raiva que te dá em ver o outro tão bem, tão feliz, tão como você gostaria de estar e (acha que) não consegue – gerando assim auto-ódio. Sei que isso não é assim tão fácil e simples de identificar, e muitas vezes é necessário que você se avalie e analise sinceramente para não cair no autoengano, mascarando a real intenção.

            O ponto central na verdade é exatamente identificar esse último comentário: “de onde vem essa sua fala, da honestidade ou da raiva que te dá em ver o outro tão bem, tão feliz, tão como você gostaria de estar e (acha que) não consegue”. Afinal nem sempre o que é bom e belo aos olhos dos outros, também será para você. E isso não necessariamente possa ser inveja. A única pessoa que saberá dizer com exatidão o que você está sentindo é somente você mesmo. Somente você sabe o que se passa aí dentro, então somente você saberá de que parte sua brotam e saem para o mundo o que você pensa, sente, fala e age. Mas da mesma forma, somente você é quem paga o alto preço pelos mesmos pensamentos, sentimentos, palavras e ações quando estes não estão alinhados com a integridade, a consciência e o bem.

            Agora voltando às três questões iniciais...

            Referente ao primeiro quesito, falamos basicamente de autorresponsabilidade, ou seja, ‘o que EU estou fazendo de equivocado e como consequência construindo situações desagradáveis em minha vida?’ Pois aquilo que de algo forma vivenciamos, são construções nossas feitas a curto ou longo prazo. Aquilo que julguei no outro, vou acabar vivendo ou fazendo também, mais cedo ou mais tarde. E isso não funciona como uma forma de punição, mas sim como uma correção ou educação que a vida tem a nos ofertar, uma espécie de matemática psíquica. Então se eu acho que alguém está me invejando, e isso pode realmente estar acontecendo, devo olhar para onde eu também sinto inveja quando vejo o outro dando certo ou até mesmo fazendo aquilo que eu gostaria de fazer.

            Agora vamos falar um pouco da segunda questão citada acima referente à inveja, que é chamada de autoinveja, ou seja, esse aspecto peculiar da inveja de querer destruir o que o outro tem ou é, mas voltado contra você mesmo. Parece bem complicado de compreender e identificar, no entanto, visto na prática não é algo tão estranho ou desconhecido assim. Quem nunca ouviu a frase “nossa, vão ficar com inveja de você...”, pois é acabamos ouvindo tanto isso que uma hora realmente deixamos de fazer com medo da inveja alheia, porém outras vezes podemos utilizar de frases como essa, para não fazer aquilo que poderíamos, seja por medo, por vergonha, por desvalor, e com isso acabamos nós mesmos por sermos os arruinadores de nossos projetos e anseios, portanto, a única inveja que se deve temer é a sua própria inveja, pois é ela quem abre a porta para a dor e o sofrimento. O invejoso não sabe lidar com o brilho, a felicidade e o prazer alheios e o autoinvejoso não sabe lidar com esses aspectos em si mesmo. Com isso, deixa de fazer o que poderia, sucumbe seu próprio potencial e cria empecilhos para si mesmo, criticando-se e sempre achando defeitos em tudo o que faz. Esse mecanismo faz com que a pessoa projete no mundo essa autocrítica, esperando que a qualquer momento algo de errado ou ruim aconteça, criando um impeditivo e justificando o fato de que é melhor não fazer nada.

            No terceiro ponto, sua atitude e sentimento diante da sua conquista podem interferir naquilo que os outros sentirão por você, pois quando a vaidade e o desejo de humilhar o outro com aquilo que você tem ou é, passam a tomar conta, inevitavelmente você atrairá a inveja do outro para você. Isso ocorre já que você não está se valendo daquilo que conquistou para ser alguém melhor como pessoa, para contribuir com o mundo ou com os seres que o cercam, mas sim está se utilizando disso para se achar melhor que os outros numa comparação e competição, que apenas geram dor e guerra.

            Levando em consideração todos esses aspectos, torna-se cada vez mais importante e indispensável o conhecer a si mesmo, pois somente assim é possível transformar aquilo que tem gerado tantos transtornos e dissabores e enriquecê-los com felicidade e alegria de viver!

 

Valéria Barbosa Marques